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Quarto Distrito espera há pelo menos 30 anos por uma revitalização

18.12.2014

Há pelo menos 30 anos o Quarto Distrito de Porto Alegre pede socorro. Após meio século de boom industrial, foi abandonado pelas fábricas, viu a degradação tomar conta de suas ruas e amargou o afastamento gradativo da vida urbana – agravado por alagamentos, insegurança e prostituição. Em meio a desacertos e desinteresse político, hoje iniciativas da sociedade civil tentam transformá-lo novamente em um espaço público vibrante.

 

Ao longo de décadas, a revitalização da região que compreende os bairros Floresta, Navegantes, São Geraldo, Humaitá e Farrapos aparece de forma recorrente em discussões do planejamento da prefeitura, no ambiente acadêmico, na especulação imobiliária, entre moradores ou entusiastas do patrimônio histórico. Que é uma área de grande potencial, pela proximidade com o Centro Histórico, oferta de acessos e de transporte público, todos concordam. Entretanto, as opiniões divergentes sobre o que e de que forma deve ser feito ali atravancam uma transformação.

 

Urbanistas e arquitetos são unânimes: falta gente, vitalidade, troca e uso do espaço público naquela área de 892 hectares ao norte do coração da cidade.

 

– A área (entre as Avenidas Farrapos e Voluntários da Pátria) chegou a ser chamada de bairro-cidade, pois tinha o que se precisava para viver. Tudo mudou quando as pessoas saíram dali – explica a arquiteta e professora da PUCRS Leila Mattar, que tem pesquisas de mestrado e doutorado sobre a região.

 

A prefeitura planejou, demonstrou ter intenção de agir e iniciou obras de mobilidade. Mas ainda deve um plano urbanístico claro para o Quarto Distrito, cobram os presidentes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RS)

e do Instituto dos Arquitetos (IAB-RS) do Estado.

 

– A partir do momento em que a prefeitura não apresenta um plano específico para a região, ela fica ao sabor dos interesses e precisa lidar caso a caso. Aí, às vezes, as obras são melhores para o investidor, às vezes melhores para a cidade – sustenta Roberto Py da Silveira, presidente do CAU-RS.

 

Para o presidente do IAB-RS, a falta de planos claros causa insegurança jurídica aos proprietários.

 

– Os investidores não sabem o que vai ocorrer naquela área. Assim, as grandes propriedades acabam funcionando como uma poupança da especulação imobiliária – avalia Tiago Holzmann da Silva.

 

Para ele, inciativas como a da prefeitura de São Paulo, que atualizou o plano diretor colocando mecanismos jurídicos no texto da lei para lidar com imóveis ociosos na região central, interessam, inclusive, aos grandes empresários da construção civil, que veriam nisso uma forma de organizar investimentos. A avaliação geral é de que há ideias para planejar o futuro dos seis bairros. Falta execução.

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